Piauí caminha para uma onda de ‘violência epidêmica’ pela desorganização na Segurança Pública
Se as autoridades da área de Segurança Pública do Piauí não agirem a contento, o estado terminará o ano no que a Organização das Nações Unidas (ONU) classifica como “violência epidêmica”.
Essa classificação é dada pela ONU quando há mais de 10 mortes violentas para cada 100 mil habitantes durante o ano. Só nos primeiros 15 dias de 2014, já registrou-se 26 assassinatos em Teresina.
O Secretário de Segurança, Robert Rios, diz que 80% das mortes é relacionado com as drogas. No entanto, mesmo com essas explicações, o estado não deixa de ser inserido nesta classificação.
A classificação da ONU não se importa se foram ricos ou pobres os mortos. E não usa isso como justificativa para amenizar o impacto do aumento da violência na sociedade, preocupada com o número de homicídios.
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| Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. A pasta sabe que os dados do Piauí não são confiáveis. |
Desorganização na Segurança Pública do Piauí
O Piauí, nos últimos anos, não vem tendo bons resultados na redução de números de mortes violentas. E o que mais preocupa é que seus dados não são confiáveis.
Em 2012, o estado foi um dos quatro que teve a pior classificação na qualidade dos dados fornecidos ao Sistema Nacional de Estatística em Segurança Pública e Justiça Criminal.
A informação é do Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, uma publicação feita em Conjunto com a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp).
No anuário, estados como Paraná, Acre, Roraima e Piauí, são tidos como os menos confiáveis. Estão no pior Grupo, o 4.
“Baixa Qualidade e Não Alimenta o SINESP JC (Sistema Nacional de Estatística e em Segurança Pública e Justiça Criminal) adequadamente”, diz o anuário mais recente, de 2012. O anuário é publicado desde 2007.
Consequências
Sem dados confiáveis, não é possível fazer um diagnóstico preciso e dessa forma canalizar recursos necessários para o combate à violência. Sem os dados não há embasamento para saber quanto pedir e para onde pedir.
O sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, coordenador do Mapa da Violência no país, já havia alertado para essa situação degradante da Segurança Pública de alguns estados.
“O fato dos dados utilizados pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública serem fornecidos pelas próprias secretarias de segurança dos estados, que não têm uma metodologia unificada, diminui a confiança das informações”, reforçou. Há suspeitas, inclusive, de camuflagem.
"São dados feitos de boletins de ocorrência, que são avaliados por especialistas como pouco confiáveis. Isso porque o boletim não é certeza de um delito, é uma notícia crime. Outra coisa: um boletim pode registrar uma chacina, com 10 mortos, por exemplo, e na estatística pode existir só um assassinato", pontua o sociólogo.
Fonte: www.portalaz.com.br




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