Secretários e policiais civis não chegam a acordo sobre reajuste salarial
Terminou
sem consenso a reunião entre os secretários Fábio Abreu, da Segurança Pública,
e Franzé Silva, da Administração, com os representantes dos policiais civis,
para tratar sobre o reajuste salarial da categoria. O encontro ocorreu na tarde
desta terça-feira, na sede do Sindicato dos Policiais Civis do Piauí
(Sinpolpi).
O
sindicato ressalta que a categoria já estava com dois reajustes programados
para maio e novembro deste ano, cada um de R$ 750 líquidos - conforme
estabeleceu a Lei nº 6.452, aprovada em 2013.
No
entanto, alegando dificuldades financeiras e a necessidade de cumprir a
Lei de Responsabilidade Fiscal, o Governo do Estado procurou a categoria
para renegociar os reajustes acertados há quase dois anos.
Pela
nova proposta, o Governo dividiria o pagamento da parcela programada para maio
em quatro vezes, sendo duas em 2015 e duas em 2016. E a parcela programada para
novembro deste ano seria renegociada apenas em 2017.
Constantino
Júnior, presidente do Sinpolpi, explica que a Lei nº 6.452/2013 acertou o
pagamento de seis parcelas de reajuste salarial para os policiais civis - em
maio e novembro de 2013, maio e novembro de 2014, e, por fim, maio e novembro
de 2015 - cada uma no valor de R$ 750 linear para todas as categorias.
Falta,
portanto, o Governo repassar R$ 1.500 do acréscimo nos salários, sendo metade
agora em maio e a outra metade em novembro deste ano.
Segundo
Constantino, ao renegociar um acordo que já estava fechado, o Governo está
adiando o pagamento das parcelas acordadas e ainda atrasando as novas
negociações salariais.
"Na
realidade, o pagamento das duas parcelas previstas para este ano está previsto
em lei. Está no ordenamento jurídico do Estado. Por isso, nós entendemos que o
não cumprimento desse acordo gera, inclusive, uma insegurança jurídica. É
impossível a categoria aceitar essa proposta, que nada mais é do que o
parcelamento das parcela", adverte Constantino.
Para
contestar a suposta dificuldade financeira alegada pelo Estado, o sindicalista
citou a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição que vinculou os salários
dos auditores fiscais ao teto do Judiciário estatual, permitindo que eles
recebam até R$ 29 mil de vencimentos. Antes, o salário da categoria era
vinculado ao Executivo, e os auditores só podiam ganhar, no máximo, o mesmo
salário do governador - em torno de R$ 17 mil.
O
presidente do Sinpolpi também avalia que os recursos necessários
para bancar os reajustes deveriam estar assegurados no Orçamento Geral do
Estado, tendo em vista que eles estão previstos em lei desde 2013.
"O
que o Governo do PT quer é passar os quatro anos sem dar um centavo de reajuste
para os policiais civis. Essa gestão tem valorizado apenas as categorias
de servidores que recebem altos salários, como os auditores fiscais e
delegados", critica Constantino.
Outro
lado
No
início da noite desta terça-feira, o secretário Fábio Abreu reiterou, por meio
de sua assessoria de imprensa, que a renegociação é necessária para que o
Governo cumpra a LRF, mas se comprometeu a interceder junto ao governador para
que seja apresentada a melhor proposta aos policiais.
"Quero
dizer a vocês que estamos no mesmo barco. Temos a mesma missão de melhorar a
segurança pública do Piauí. Tenho certeza que através do diálogo vamos chegar a
um acordo", afirma Fábio Abreu.
O
Piauí possui aproximadamente 2.200 policiais civis, entre ativos, inativos e
aposentados. O pagamento imediato e integral da parcela do reajuste prevista
para maio provocaria um impacto de, aproximadamente, R$ 1,7 milhão/mês nos
cofres do Estado.
Fonte: www.portalodia.com



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