Três palpites para o tema da Redação Enem 2015 – e como abordá-los
Uma das maiores expectativas de quem vai fazer Enem é o tema
da redação. Afinal, esta prova é decisiva para a colocação dos candidatos e o
meio milhão de notas zero do ano passado ainda ecoa na cabeça de estudantes e
professores.
Antes de tudo, vale levar em conta que não adianta muito
ficar adivinhando os temas, pois a possibilidade de acertar “na mosca” é
bastante remota. O que importa é dominar a estrutura de um texto
dissertativo-argumentativo, desde o início até o final.
Na introdução, o candidato precisa oferecer um panorama
geral do tema, mostrando a sua relevância. No desenvolvimento, o avaliador
examinará se o candidato tem visão global, considerando os diversos aspectos da
questão explorada, e se articula bem as ideias.
Por fim, cabe ao candidato apresentar uma proposta de
intervenção social: como ele julga que esse problema pode ser resolvido ou
encaminhado? A proposta deve ser factível e concreta.
Quem domina essa estrutura, é antenado com o que acontece no
mundo e tem uma postura crítica certamente terá muito a dizer.
Posto isso, registro aqui, de todos modos, três palpites
sobre os possíveis temas para a prova deste ano.
Liberdade de expressão
Minha primeira aposta vai para a liberdade de expressão. Foi
uma discussão importante em 2015, sobretudo em face do ataque ao jornal
satírico francês Charlie Hebdo, ocorrido em janeiro deste ano, que resultou na
morte de 12 pessoas.
A proposta da redação pode pedir que o candidato analise se
a liberdade de expressão deve ter limites ou se é permitido dizer tudo, mesmo
ferindo os sentimentos e crenças dos demais.
A questão tem duas faces. Por um lado, a liberdade de
expressão é garantida pela Declaração Universal dos Direitos Humanos e qualquer
tipo de censura da informação pode constituir uma ameaça aos valores que estão
na base dessa liberdade.
Em contrapartida, os próprios documentos da ONU mencionam
que a liberdade de expressão não dá direito a incitar a guerra, o preconceito
ou o ódio. Ora, se não pode haver censura prévia, ao mesmo tempo há
responsabilidades posteriores pelo que se diz. Tal fronteira, imposta por
limites legais e morais, é decisiva para garantir o respeito pelos outros.
Redução da maioridade
Outro palpite vai para a redução (ou não) da maioridade
penal. O que considerar? Sob uma perspectiva histórico-social, há dezenas de
razões para não reduzir a maioridade: fixá-la em 18 anos é tendência mundial;
os adolescentes infratores representam apenas 0,5% da população jovem do Brasil
(e uma exceção não pode pautar uma lei); sem falar que as causas da violência e
da desigualdade não se resolverão com a adoção de leis penais – seria tratar o
efeito, e não a causa.
Por outro lado, há quem pondere que, aos 17 anos, o jovem já
sabe o que faz e alguns optam conscientemente pela criminalidade. O Enem pode
cobrar uma argumentação sobre esta polêmica, que foi uma das mais marcantes do
ano no cenário nacional.
Olimpíadas no Brasil 2016
Por fim, correndo por fora, um terceiro tema pode ser o
escolhido: as Olimpíadas no Brasil 2016: benefícios e desafios. Como garantir
que esse evento deixe um legado real para a população? Para discutir o assunto,
é pertinente que o candidato utilize indicadores de países que já tenham
realizado um evento desse porte, além de demonstrar entendimento dos avanços
concretos que podem reverter para o cidadão brasileiro.
Fonte: G1


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