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Bolsonaro deve sancionar projeto que revoga a Lei de Segurança Nacional

quarta-feira, 1 de setembro de 2021

 Às vésperas das manifestações de 7 de setembro, o presidente Jair Bolsonaro deve sancionar com vetos, nesta quinta-feira, o projeto que revoga a Lei de Segurança Nacional (LSN) e incorpora seus crimes ao Código Penal. Militares do Palácio do Planalto eram contrários à revogação da lei, mas a ala política era favorável à mudança.

O Congresso Nacional pode derrubar os vetos se houver maioria em ambas as Casas. Lideranças já haviam sinalizado que manteriam a revogação da LSN. Nesta semana, o presidente Jair Bolsonaro recebeu recomendação do Ministério da Defesa para que a lei continuasse em vigor com o argumento de defesa da soberania nacional. Ele deve optar por manter a revogação, conforme aprovado no Congresso, no entanto.

Um dos vetos previstos deve ser o que impede a criação do crime de "comunicação enganosa em massa", criado pela nova proposta. A justificativa do veto, em texto preliminar ao qual o GLOBO teve acesso, é de que "contrariaria o interesse público por não deixar claro qual conduta seria objeto da criminalização, se a conduta daquele que gerou a notícia ou daquele que a compartilhou (mesmo sem intenção de massificar)".

O prazo para que Bolsonaro definisse se sanciona ou veta o texto, que também estabelece crimes contra o Estado Democrático de Direito, entre os quais o golpe de estado ou impedimento das eleições, terminava nesta quarta-feira.

Além disso, Bolsonaro deve vetar o trecho que possibilitaria a partidos políticos com representação no Congresso entrarem com ações privadas contra suspeitos de cometerem os crimes na LSN. O governo alega, no texto em estudo, que "a proposição contrariaria interesse público por não se mostrar razoável para o equilíbrio e a pacificação das forças políticas no Estado Democrático de Direito".

Levantamento do GLOBO mostrou que mais da metade dos inquéritos policiais instaurados com dispositivos da LSN, entre 2010 e 2021, ocorreram no governo Bolsonaro, justamente contra adversários. A lei de é de 1983, fim da ditadura militar. Por outro lado, a legislação também serviu de base para o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinar a prisão em flagrante do deputado Daniel Silveira (PSL-RJ), após ameaças aos integrantes da Corte.

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Outro veto deve ser no trecho que estabelece como crime o "atentado a direito de manifestação", em que seria punido quem impedisse o "livre e pacífico" exercício de manifestação. "Ante a dificuldade de caracterizar, a priori e no momento da ação operacional, o que viria a ser manifestação pacífica, gerar-se-ia insegurança jurídica", alega a justificativa estudada pelo governo para os vetos.

Aprovada no Senado no dia 10 de agosto, o projeto que extingue a LSN define crimes contra a democracia, como golpe de estado, impedir ou perturbar a realização das eleições, incitação de crime às Forças Armadas, comunicação enganosa em massa, atentado contra a soberania e espionagem, entre outros pontos.

A aprovação no Senado ocorreu no mesmo dia em que houve um desfile militar na Esplanada do Ministérios. Agora, os vetos parciais de Bolsonaro devem ocorrer dias antes das manifestações pró-governo, convocadas para o dia 7 de setembro em meio à crise entre os Poderes. A militância bolsonarista promete ir às ruas com críticas ao STF.

A revogação da LSN foi defendida no Congresso por ser associada ao período do regime militar. Em seu discurso durante a votação, o líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), disse que era hora de o Brasil "sepultar" a lei que era um "resquício da ditadura e que não condiz mais com a nossa Constituição".